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A imunologia do autismo e da criança autista

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um distúrbio do desenvolvimento neurológico, que afeta a comunicação e o comportamento.
Historicamente, o TEA tem sido descrito como um transtorno puramente psiquiátrico, com fatores genéticos desempenhando o papel mais crítico. 
A etiologia precisa do autismo ainda não é conhecida, no entanto, evidências indicam que a genética, os fatores ambientais e uma resposta imune anormal podem estar ligados ao aparecimento e o desenvolvimento de sinais e sintomas semelhantes ao espectro autista.
O crescimento da pesquisa sobre o papel da inflamação tem levado à redefinição de muitas doenças como distúrbios inflamatórios ou autoimunes. Como exemplo disso temos à psoríase, espondilite anquilosante, doenças cardíacas, diabetes tipo 1, diabetes tipo 2 e obesidade.
Pesquisas nesse sentido identificam perfis de citocinas anormais às vezes associadas com quadros caraterizados por depressão, transtorno de hiperatividade, déficit de atenção e memória (TDAH), sugerindo coletivamente que as citocinas podem induzir tanto a conduta alterado quanto sintomas neurológicos e psiquiátricos, e que a inflamação é um fator fundamental a considerar.Indivíduos com diagnósticos prévios de TEA podem demonstrar sinais de resposta imune aberrante no sistema nervoso central, sangue periférico e no trato gastrointestinal, tais como citoquinas inflamatórias anormalmente elevadas, infiltração anormal de linfócitos e fagócitos, linfócitos autorreativos, autoanticorpos, infecções crônicas virais, etc.
Porem, embora avanços consideráveis tenham sido feitos na tentativa de elucidar o papel da autoimunidade e/ou inflamação na patogênese do verdadeiro TEA, ainda há grandes inconsistências nas descobertas entre os estudos de campo, mesmas que poderiam ser explicadas por transtornos na resposta imunológica subdiagnosticadas entre as crianças erradamente incluídas dentro do espectro.
Então é provável que as reações anormais do sistema imunológico, incluindo perfis alterados de citocinas, infecções atípicas crônicas, respostas anormais a estímulos vacinais como hiperinflamação e/ou autoimunidade, tenham um papel em quadros que lembram falsamente o Autismo. 
Atualmente, pode-se concluir que há pelo menos um subgrupo de indivíduos com diagnóstico prévio de TEA que têm alguma forma de desregulação do sistema imunológico, como por exemplo: níveis de citocinas alterados, perfil e níveis dos diferentes tipos de imunoglobulinas defeituosos, perfil de células imunológicas e inflamatórias também alterados e/ou resposta a estímulos vacinais desregulados. Isso tudo em conjunto ou em diferentes perfis.
Podemos concluir então que, a avaliação do perfil imunológico pode facilitar a identificação de algum subgrupo de pacientes com diagnóstico prévio TEA com outras doenças subjacentes e comumente subdiagnosticadas ou negligenciadas. Esto pode ainda ajudar a desenhar novos enfoques e estratégias de tratamento, além de fornecer marcadores biológicos que nos ajudem a qualificar a resposta a tratamentos mais eficazes.

Dr. Javier Ricardo Carbajal Lizárraga.
Especialista em Alergia e Imunologia.
Crianças e adultos.
RQE 21798. CRM/SP 92607.
Alergista e Imunologista pela USP e
Sociedade Brasileira de Alergia e Imunologia. 
Membro da Sociedade Brasileira de Alergia e Imunologia - ASBAI.
Membro da European Academy of Allergy and Clinical Immunology, EAACI
Membro da American Academy of Allergy, Asthma & Immunology - AAAAI.
Membro da Sociedad Latinoamericana de Inmunodeficiencias - LASID.
Membro da Clinical Immunology Society - CIS.
Membro da European Society for Immunodeficiencies - ESID.
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This Post Has 6 Comments

  1. Excelente post ! Sou uma das mães brasileiras com filho autista que apresenta alteração genética de DEAF1. Temos um estudo nesse sentido e possuímos um instituto em busca de novas pesquisas e tratamentos ! Siga no instargram @deaf1brasil ou se preferir deixo meu contato :(86)99922-2110.

    1. Prezada Kassandra,
      Obrigado por nos contatar.
      Interessante e bonito trabalho o que vocês fazem.
      Estamos à disposição, para quaisquer contribuição que considerem oportuna.
      Tomamos nota dos seus contatos e agradecemos sua disposição.
      Grande abraço.

  2. Boa Tarde,
    E qual seria a especialidade médica habilitada a prescrever esse estudo imunológico a uma criança ou adulto com diagnóstico de autismo?
    Desde já agradeço a atenção

    1. A avaliação imunológica de qualquer caso clínico pode ser corretamente gerenciada por especialistas em Alergia e Imunologia focados em Erros inatos da Imunidade.

    1. Febre sem motivo aparente deve ser pesquisada considerando a possibilidade de quadros autoinflamatórios. Quadros autoinflamatórios podem provocar encefalitis com sinais e sintomas que podem confundir até neurologistas experientes.

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